Biografia de Luiz Gallio

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03 de Setembro de 2018
vferreiracps@gmail.com
Valdenir Alves Ferreira


sadoutrina.org - Biblioteca Digital - As Colunas do Senhor

Em janeiro de 1994, me chegou à mão o Livro manuscrito de Luiz Gallio sobre A Origem da Sã Doutrina. Estávamos (eu e o irmão Joel Vieira Lopes, em nome da Reunião de Jovens JSCCPSSP) pesquisando sobre este tema e fomos informados pelos irmãos Paulo e Lúcia Menas que os familiares do irmão Luiz Gallio residentes na Grande São Paulo possuíam um livro importante que narrava longamente sobre o assunto.

Requisitamos à família e prontamente fomos atendidos. Aquela leitura foi reveladora pelo fato de contar minuciosamente o assunto. O trabalho de pesquisa feito pelo irmão Luiz Gallio ocorreu no início dos anos de 1960. Concluímos a investigação que pretendíamos naquela época, a irmã Roseli da Silva Lopes fez a digitação integral do livro que está disponível na Área Restrita sadoutrina.org e devolvemos o exemplar original a família.

A partir da digitação, fizemos várias impressões encadernadas, distribuímos Brasil a fora e notei que a grande massa dos nossos irmãos começou a conhecer o trabalho a partir da nossa divulgação.

Estávamos em 1994/95, mais de 30 anos após o trabalho do irmão Luiz Gallio e somente então a Sã Doutrina teve acesso a um passado até então pouco conhecido para alguns e totalmente desconhecido para muitos.

Relativamente ao surgimento da nossa Igreja no Brasil, o Gallio escreveu o seu relato no início dos anos 1960, mas não conseguiu publicar de forma impressa. A publicação impressa foi feita pela Reunião de Jovens do Jardim São Cristóvão como dito acima. O Pozza escreveu e publicou o mesmo título no início dos anos 1980.

Curiosamente o Gallio e o Pozza eram italianos, se elevarmos o Gallio a dupla cidadania a que teria direito como veremos mais adiante.

O assunto sempre despertou muitas curiosidades. Quando o Gallio saiu em viajem para pesquisar a nossa origem, ele convidou alguns irmãos para o acompanharem, mas nenhum se habilitou. Eu sempre disse comigo mesmo: se eu existisse naquela época, teria ido com ele.

Em 2010 eu fiz a narrativa integral em áudio que também já foi enviada para os irmãos do Brasil a fora através dos recursos digitais disponíveis e também está disponível na Área Restrita sadoutrina.org.

Em 2012 foi editado e lançado via Organização da Sã Doutrina, o livro Conceitos da Sã Doutrina, e nele fizemos um comparativo entre as versões de Luiz Gallio e de João Pozza sobre A Origem da Sã Doutrina. Este comparativo pode ser visto nos textos complementares ao final dessa biografia.

Notei que o trabalho do Gallio já estava bem divulgado. Mas e o autor? Luiz Gallio ficou conhecido apenas no nome, mas sua vida pessoal era praticamente desconhecida, exceto pelos familiares e uns poucos irmãos antigos. Sua esposa foi a irmã Palmira Gallio.

Finalmente em 29/09/2017, decidi biografá-lo por considerar que um irmão com tamanho empenho e capricho para com a história da nossa Igreja não poderia continuar no anonimato.

Para iniciar os trabalhos, conversei bastante com o irmão Walmir da Rocha Melges por ter ele bastante experiência em genealogias, biografias e ser perito judicial, profissão que usa métodos científicos na busca de provas afim de eliminar qualquer possibilidade de dúvidas nos resultados obtidos.

Prontamente o Walmir se dispôs a me ajudar através das várias opções de pesquisas disponíveis na internet. Um dos sites de genealogias mais famosos que existem é o Family Search, mantido pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (ou seja, Os Mórmons Americanos).

Eles acreditam que as pessoas falecidas que não se salvaram podem ser redimidas dos seus  antigos pecados, desde que alguém receba o batismo feito por eles em nome do falecido.

Para isso o falecido precisa ser apenas corretamente identificado. Por isso eles mantém um banco de dados gigantesco e realizam suas pesquisas onde for acessível (dados da imigração, livros de batismo de Igreja Protestantes, da Igreja Romana e outros).

Sobre essa crença, eles se apoiam em I Coríntios 15:29, quando Paulo tratou sobre aqueles que se batizam pelos mortos. Paulo não autorizou essa prática, apenas se referiu a ela, logo, existia naquela época.

Relatei isso apenas para que os irmãos entendam o motivo de tal banco de dados, ressaltando que é uma crença doutrinária deles na qual eu e Walmir não estávamos interessados. Queríamos apenas alguma possível informação sobre o irmão Luiz Gallio.

E não é que encontramos um Luiz Gallio no Family Search, italiano que veio morar no Brasil no início do século 20. Descobri através da família do nosso Luiz Gallio, residente em Tupã que o pai do mesmo também se chamava Luiz Gallio e pensei inicialmente que o GALLIO PAI fosse aquele imigrante catalogado no Family Search, mas as descobertas seguintes me mostraram que não era.

Devido a experiência, Walmir sempre foi cético quanto a isso e me dizia: precisamos de provas definitivas para fazermos a declaração final.

Através do irmão Isaías Teixeira aqui de Campinas, obtive o contatos dos familiares do irmão Luiz Gallio em Tupã. Fiz inúmeras perguntas à família e contei com a resposta sempre pronta do nosso irmão Marcos Soares de Souza, Apascentador da Sã Doutrina em Tupã. O Marcos é casado com uma sobrinha do irmão Luiz Gallio. Ele me passou as seguintes informações:

Luiz Gallio, nascido em Boa Esperança - SP em 13/05/1904, profissão lavrador, filho de Luiz Gállio e de Josephina Cafina.

Casou-se em 16/07/1936 com Palmira Antonia Vieira e, após o casamento esta passou a assinar Palmira Antonia Gallio, nascida em 10/05/1911, profissão  do lar, filha de Manoel Fernandes Ferreira e  Maria Antonia Vieira.

Descontado um erro na data de nascimento que veremos a seguir, todas estas informações estão corretas. Elas me deram um bom direcionamento, mas eu queria saber algo mais. Então contactei duas fontes oficiais, sendo uma do governo italiano e outra do governo brasileiro.
 

O Consulado da Itália em São Paulo-SP

Do lado italiano, me apresentei como biógrafo e enviei uma petição ao Consulado da Itália em São Paulo contendo os dados obtidos junto à família perguntando se eles possuíam algum registro.

Da: Valdenir Alves Ferreira [vferreiracps@gmail.com]
Inviato: lunedì 30 ottobre 2017 21.50

A: Consolato d'Italia in Brasile, San Paolo - URP
Oggetto: Sobre o Luiz Gallio

Obtive a seguinte resposta:

Prezado senhor,
Não consta em nosso cadastro registro da pessoa indicada. Sugerimos que busque informações junto ao Museu do Imigrante em SP Capital.
Cordialmente,

ED
Ufficio Relazioni con il Pubblico
Consolato Generale d'Italia in San Paolo


O Cartório de Boa Esperança do Sul-SP

Do lado brasileiro, enviei a mesma consulta ao Oficial de Registro Civil e Notas Boa Esperança do Sul e obtive a certidão de nascimento do nosso LUIZ GALLIO.  Um verdadeiro achado histórico.

Fui atendido pelo Escrevente Oficial Renan do Nascimento Martins que prontamente me instruiu sobre as providências legais para obter a documentação que pretendia. Após os trâmites legais, obtive e transcrevo abaixo a certidão de nascimento do irmão Luiz Gallio.

O texto contém diferenças ortográficas em relação à Lingua Portuguesa atual, pois é datado de 1902 e também algumas inconsistências tal como o nome da mãe do irmão Luiz Gallio. Num primeiro momento é citado de forma aportuguesada como Josephina Cafina e ao final, na forma italiana como Giuseppina Caffini.
 
Certidão de Nascimento - Inteiro Teor

Matrícula: 116822 01 55 1902 1 00003 035 0000074 29

CERTIFICO, atendendo a pedido verbal de pessoa interessada e revendo os livros do registro civil a meu cargo, deles verifiquei constar, no Livro A-3, às Folhas 35, sob número 74, o registro de nascimento de: LUIZ, cujo teor é o seguinte: "Aos desoito dias do mez de Maio de mil novecentos e dois, nesta Villa de Boa Esperança Comarca de Ribeirão Bonito, em cartório compareceu dona Josephina Cafina, moradora nesta Villa, e em presença das testemunhas adiante assignadas, declarou que no dia quinze do corrente, as quatro horas da tarde, nesta Villa, ella declarante deu a luz a uma criança do sexo Masculino, que vai ser baptisado com o nome de Luiz, filho ligitimo de Luiz Gallio, já fallecido, e della declarante, italianos, são avós paternos José Galli e Maria Galli (ambos já fallecidos) e maternos, José Cafina, e Maria Guinze (ambos já fallecidos). E para constar fasso este termo que commigo assigna a declarante. Eu, Carlos José Dias do Nascimento, escrivão o subscrevi. Giuseppina Caffini. José Bernardo Martins. Bento Martins.". Nada mais contém no dito termo que aqui se reporta, dou fé. Eu,_____________, Thaís Braga Marochi, (Substituta do Oficial), a digitei, conferi e assino.

Boa Esperança do Sul-SP, 02 de Dezembro de 2017.

Ao final, esta certidão pode ser vista scaneada na forma de Inteiro Teor e na forma original feita a mão.
 
Curiosidades

Sobre Luiz Gallio (o nosso Gallio) extraídas da certidão:

1- Não conheceu seu pai, pois ao nascer, sua mãe declarou o que o pai havia falecido durante a gravidez, tanto que homenageou o seu falecido marido dando seu nome ao filho recém nascido.

2- Seus pais e avós eram italianos.

3- Ele foi o filho mais novo daquele casamento.

4- Sobre seus avô paterno, José Galli apresentar uma ligeira diferença no sobrenome, pode ser que os escreventes italianos erraram ao registrar o Luiz Gallio PAI aumentando a letra O no final, ou então erraram bem antes ao registrar o seu avô José Galli que seria Gallio.

Pode ser ainda que sua mãe errou ao declarar que o avô paterno era José Galli, quando na verdade era Gallio [Walmir me disse que estas diferenças não importam e que Galli em uma região poderia ser Gallio em outra e pertencerem a mesma família]. Naquela época os escreventes faziam documentos a partir de uma declaração verbal, sem apresentação de documentos (prática que não ocorre hoje).

Pode ser ainda que o erro seja do escrevente brasileiro, tendo a mãe declarado certo e ele escrito errado. É uma questão insolúvel a menos que estendêssemos a pesquisa aos cartórios da Itália, pois é possível que somente eles têm a solução deste enigma.

5- Embora a família me declarou que seu nascimento foi em 13/05/1904 e isto me serviu como ponto de partida, a certidão de nascimento atesta que a data correta de seu nascimento foi 15/05/1902, recorrendo aos calendários infinitos da internet, uma quinta feira.

6- O acolhimento do registro feito pelo escrevente em 18/05/1902 é no mínimo curioso. Era um domingo este dia. As repartições públicas brasileiras não trabalhavam aos domingos no tempo antigo e nem o fazem na atualidade.

7- O nosso Gallio faleceu em 03/11/1986 [Fonte: Oficial das Pessoas Naturais de Santo André-SP na pessoa do Escrevente Guilherme de Freitas Vieira].
 
Informações Gerais

Luiz Gallio e Palmira nunca tiveram filhos biológicas, por isso recorreram a adoção. Seus filhos adotivos foram Carlos, Manoel, Maria e Mauro. Manoel e Maria eram irmãos entre si [Fonte: Sergio Luiz Siqueira do Prado].

Carlos, Manoel e Maria já são falecidos. Mauro é vivo, casado, tem 40 anos, reside com a esposa e duas filhas em Santo André-SP [Fonte: Sergio Luiz Siqueira do Prado].

No livro sobre a Sã Doutrina aparecem apenas Manoel e Maria que eram crianças na época. Provavelmente o Carlos já era adulto e talvez já fosse casado, pois o irmão Luiz Gallio não o menciona. Sobre o Mauro, este foi adotado quando Luiz e Palmira já eram bem idosos, tanto que a Maria era quem cuidava dele [Fonte: Sergio Luiz Siqueira do Prado].

Manoel e Maria aparecem no livro como Manoelzinho e Mariinha. Manoel se casou e teve três filhos. O nome de Mariinha é Maria Helena da Silva do Prado tendo adotado o complemento PRADO ao se casar com Sergio Luiz Siqueira do Prado.

Maria Helena nasceu em 27/05/1958 e faleceu em 10/12/2006. [Fonte: Oficial das Pessoas Naturais de Santo André-SP na pessoa do Escrevente Guilherme de Freitas Vieira]. Tiveram uma filha, Mayara Siqueira do Prado. [Fonte: Sergio Luiz Siqueira do Prado].
 

Agradecimentos especiais

Contei ainda com colaborações muito prestativas de outros irmãos, sem as quais esta biografia simplesmente não existiria, são eles:

Sergio Luiz Siqueira do Prado, foi casado com a Maria Helena, me informou que o Manoel e a Maria eram irmãos entre si. Me informou sobre o Manoel e o Mauro e suas famílias. Cedeu o livro manuscrito para a guarda definitiva na Organização da Sã Doutrina. Me atendeu de forma muito pronta e cordial.

Dirceu Leme, colaborou me enviando o contato do Sergio Luiz Siqueira do Prado e relatando detalhes de seu convívio com o irmão Luiz Gallio. Dirceu é neto de Gastão Correia, contemporâneo, irmão de fé e amigo de Luiz Gallio.

No livro sobre a Sã Doutrina,  Gallio cumprimenta o Gastão e diz: faz mais de 30 anos que não nos vemos. Por essa afirmação, concluímos que o elo de ligação entre ambos era a Sã Doutrina, e também é possível concluir que ambos foram iniciados em nossa Igreja antes de 1930, ou seja, pelo menos nos anos 1920.

Genilza Cezarine, amiga de Maria Helena, atuou com seu esposo Dirceu Leme na intermediação para que o livro sobre a nossa Igreja fosse remetido para a guarda da Organização da Sã Doutrina.

Paulo Menas, conheceu o irmão Luiz Gallio e lembra que ele pregava muito contra o uso de rádio, televisão e fotografias. Segundo seu relato, o Gallio tinha voz afinalada.

Lúcia Menas, amiga de Maria Helena, frequentava as orações na residência do Gallio. Segundo ela, o Gallio era extremamente caridoso.

Pedro Augusto Silva, conheceu o Gallio no início dos anos 1960, inclusive se recorda de uma pregação feita por ele no capítulo 22 de Deuteronômio com referências no 7 de I aos Coríntios. Segundo ele, foi um tempo de grande aprendizado.

Roseli da Silva Lopes, digitou o livro manuscrito sobre a Sã Doutrina em 1994 possibilitando que o mesmo se tornasse conhecido entre os irmãos. Ao final, anotou: que este irmão tenha um lugar especial no reino celestial, pois foi louvável a sua preocupação com a nossa Igreja.

Isaías Teixeira, me passou o contato do irmão Marcos Soares de Souza, Apascentador da Sã Doutrina em Tupã. Através do Marcos foi que consegui as informações iniciais que me levaram ao Cartório de Boa Esperança do Sul-SP.

Regina Célia Monsueto, fez a restauração da foto em que o Gallio era Jovem. Como ele é nascido em 1902 e se converteu à Sã Doutrina nos anos 1920, supondo pela média, 1925, naquela foto ele teria uns 23 anos de idade.

Aquela foto é de antes da conversão, pois ao converter, ele interpretou que as fotos poderiam infringir o segundo mandamento da Lei Moral de Deus dos Dez Mandamentos que diz: Não farás imagens de esculturas.... Muitos irmãos compreendiam dessa forma e se fotografavam unicamente para fins de obtenção de documentos.

Artur Ferreira da Silva, filho de João da Silva e sobrinho do irmão Cornélio Palomares, conseguiu uma foto do casamento do Cornélio em que aparece o Gallio e o João Adamucho (ministrantes do casamento).

A imagem é datada de 13/05/1960, mas não está muito nítida por ser antiga, em preto e branco e ainda aparece uma garrafa na frente da rosto do Gallio, mas foi um achado, visto não termos nenhuma outra dele após a conversão.

José Ricardo Benedito, (artesric@hotmail.com) cartunista profissional aqui na cidade de Campinas, recorri aos seus serviços para reconstituir a imagem do Gallio que o Artur conseguiu.

O trabalho de reconstituição demorou 18 dias para ficar pronto, mas valeu a pena. Como a foto era de 13/05/1960, eu precisava apresentá-la para alguém que conheceu o Gallio naqueles anos para validação.

Essa pessoa foi o irmão Pedro Augusto Silva. Na sua opinião, a reconstituição lembra em pelo menos 80% a fisionomia do irmão Luiz Gallio.

Sergio Luiz Siqueira do Prado que conheceu o Gallio nos anos 1980 confirmou que a reconstituição traz uma boa lembrança da fisionomia do irmão Luiz Gallio.

Meus sinceros e especiais agradecimentos a todos que colaboraram para a elaboração e conclusão desta biografia.

Evidente que a mesma poderia ser muito mais abrangente, mas a sua expansão requereria muito mais tempo e trabalho, razão pela qual entendi que devo considerar o resultado atual como satisfatório.
 

Sobre as Fotos Reconstituídas

Referente a reconstituição das fotos, mesmo sabendo que o irmão Luiz Gallio era contra, eu as fiz para dar conhecimento aos irmãos da Sã Doutrina, pois nós precisávamos conhecê-lo. A intenção não é confrontá-lo, mas torná-lo conhecido.

Luiz Gallio e João Adamucho foram os ministrantes do casamento religioso de Conélio Palomares e Raquel Ferreira Vaz. Curiosamente o Gallio era avesso às fotografias e o Adamucho era fotógrafo. Naquele dia eles foram fotografados juntos.
 

Sobre o Livro Manuscrito

Sobre divulgar o livro, a intenção é a mesma. Não era possível que uma história tão rica e bonita ficasse no esquecimento. Claro que o intuito também não é engrandecer a pessoa do irmão Luiz Gallio, pois Grande é unicamente o Senhor Deus, Jesus e o Espírito.
 

Conclusão

Desde a digitação o livro sobre a Sã Doutrina, a irmã Roseli da Silva Lopes grafou Gállio com um acento agudo, pois faz todo sentido. A primeira sílaba nos induz que há um acento mesmo, entretanto nos registros oficiais não existe o acento.

Por isso essa biografia não traz o mesmo no sobrenome do biografado. Pode ser que nos documentos de Registro Geral e no Cadastro de Pessoas Físicas exista o acento, mas não tive acesso a estes documentos.

O irmão Luiz Gallio morou grande parte da sua vida em Tupã-SP, era uma pessoa que amava muito a Sã Doutrina e que resolveu pesquisá-la para conhecer melhor a sua origem, a saber: a época e o modo de sua revelação, o lugar onde os fatos se deram e o nome dos primeiros convertidos focando saber o nome da pessoa que recebeu a revelação inicial no Brasil.

Em Tupã, no bairro de Parnaso, ele doou uma chácara para a Sã Doutrina local, que é mantida até hoje e nela existe um templo pequeno onde os irmãos congregam na obra do culto espiritual.

Morou também na Grande São Paulo, em Santo André. Era um apascentador e pregador do evangelho na Sã Doutrina.

Encerro agradecendo a Deus que me deu a oportunidade de registrar esta biografia e publicá-la para que a memória do irmão Luiz Gallio seja sempre lembrada. Eu não o conheci em vida material, mas agora, com todas estas informações, passei a conhecê-lo melhor e compartilho, pois valeu muito a pena biografá-lo.

Recomendo que os irmãos conheçam também livro pois desde de 1994 quando eu o li pela primeira vez, me apaixonei pela história. Sempre gostei de registrar tudo sobre a Sã Doutrina, pois creio que para entender o presente e nos preparar para o futuro, precisamos essencialmente conhecer o passado.

Estou certo que os registros feitos hoje são um legado à nossa posteridade.

Paz de Deus a todos
Valdenir Alves Ferreira
Campinas, 03/09/2018
Segunda Feira, 20:15h
 

A seguir, quatro textos complementares importantes:
 

1- Dossiê  Histórico Sobre Luiz Gallio, por Dulcinéia Zampieri Forteza. (sobrinha do Gallio).

Luiz Gallio era órfão de pai como vimos na biografia. Minha avó Josephina se casou novamente e teve outros filhos, dentre eles, meu pai Waldemar Zampieri. Luiz e Waldemar eram irmãos por parte de mãe ou, meio irmãos.

Nome:- Luiz Gallio
Filiação Luiz Gallio e Josephina Cafina, ela, natural de Montoa - Itália

Descendente de italianos, casou-se com Palmira, não teve filhos biológicos. Apenas adotivos.

Alfaiate de profissão trabalhava juntamente com seus irmãos na Cidade de Quintana -SP

Em 1948, veio  para Tupã, juntamente com seu irmão Waldemar Zampieri, também alfaiate e montaram uma pequena alfaiataria, na avenida tamoios, mas com o crescimento e prosperidade do Município, também prosperou tendo em 1958 aberto uma Firma denominada GALLIO & ZAMPIERI, alfaiataria e comércio de casimiras, linhos, brins e congêneres.

No período em que estava com uma situação financeira melhor deixou tudo aos cuidados de seu irmão Waldemar e saiu em  peregrinação  de busca dos primórdios da  Sã Doutrina, como se pode Ler  em seu livro, que tentou mas não conseguiu editar, pois as editoras só publicam livros efetivamente comerciais.  Seu livro é o maior legado que deixou.

Como homem caridoso e empenhado em seguir corretamente a doutrina, praticou a caridade material e espiritual, ele doou (com recursos de seu próprio trabalho) uma pequena chácara no Distrito de Parnaso, para servir de abrigo àquelas pessoas necessitadas que pertencem  à  Sã Doutrina. Muitas pessoas já passaram por lá, e existe até hoje.

Homem de personalidade séria em seus ideais, seguiu a Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia, buscando a perfeição, pensando primeiro em ajudar o próximo, fez primeiro a doação da chácara , somente depois é que foi adquirir uma casa para si.

Viveu humildemente toda a sua vida trabalhando até a velhice. Nos meados da década de 1960 vendeu sua parte na sociedade que possuía com seu irmão e foi   morar em Santo André , onde viveu até a sua morte.

Foi um grande pregador do Evangelho de Cristo, e precursor da Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia.
 

2- A Origem da Sã Doutrina, Segundo Luiz Gallio (resumo)
 
Introdução:- Inscrição do novo levantamento da Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia, feito depois de decorridos aproximadamente quarenta e cinco anos de sua manifestação.
 
Isto foi averiguado sob uma união das pessoas mais velhas e antigas na lei, as quais atestaram ser verdade assim conforme segue; e desde agora deixamos para os filhos de Deus, podendo abraçarem-na com gosto. Que isto vos será aceito por um grito de arrependimento em Cristo na obediência da Lei, diante de Deus.
 
Eu, Luiz Gallio, vosso irmão, que também muito me esforcei para dar o bom testemunho que é proveniente da fé na Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia.
 
Pelo que tenho eu ocorrido diligentemente na leitura do evangelho sobre as promessas de Cristo aos fins dos tempos, e que já há tempos respondendo em espírito, nas igrejas que estão espalhadas debaixo do céu. Compreendi que já é o tempo do cumprimento das palavras do altíssimo, dizendo em Coríntios: 'Estas são as coisas que estiveram ocultas em mistérios, qual Deus predestinou antes dos séculos para nossa glória.
 
Então cuidei de saber a verdade relativamente a esta Igreja, em finalidade de sua fundação. E sobre isto estou fazendo eu uma narrativa dos acontecimentos passados e junto citando também os nomes de algumas das pessoas que ajudaram nesta ocorrência em saber o tempo, o modo, a base da fundação da Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia.
 
E saber o tempo em que manifestou o Espírito Santo pela primeira vez e o nome da Igreja.  Isto é, depois do dia de pentecostes, relatado no 2 de Atos, que foi depois de Cristo, no tempo de seus discípulos e continuação de seu povo até o tempo do império romano.
 
Nesse tempo, houve a isolação do povo de Deus, sobre mudanças dos tempos e de suas estações. E fez-se um novo calendário, a fim de fazer desaparecer o mandamento da guarda do sábado, pelo que penso que por aquele tempo os crentes foram dispersos e Deus revogou aquelas estações e previu a vinda de um povo para tempo determinado. Sim. De um povo sob a mesma vocação, para fazer o novo levantamento da Sã Doutrina, conforme hoje se vê.
 
Então tive desejo de saber quais foram as pessoas que foram desenvolvidas pelo Espírito Santo por este tempo, e o nome da Igreja que se tornou primitiva neste lugar, e qual será o nome da cidade ou arraial onde surgiu esta grande e maravilhosa luz; como e quando foi que surgiu. Para então poder escrever e deixar para aqueles que venham depois de nós.
 
Parece-me que a Sã Doutrina levantou-se como uma ovelha nova, desconhecida do rebanho, mas que andava em volta das mesmas para guardá-las. Assim como faz o jardineiro para guardar o seu bom canteiro, para não o ver pisado por malfeitores. Assim fazia ela para a advertência de seus filhos, e por fazer assim odiada tornou-se e desprezada por outras, e levantaram-se a lutar contra ela.
 
Então o seu nome foi se estendendo sobre todas as suas gerações que estão debaixo dos céus. E assim vendo, satanás logo armou sua rede, mas serviu apenas para apanhar a seus próprios filhos, pois os fundamentos da Sã Doutrina são profundos, parece-me ser ela ajudada pelos exércitos do céu. E por isso, os seus ramos estão se estendendo sobre toda a terra. Como poderia ela ficar debaixo do alqueire, sendo ela uma enorme e incandescente luz?
 
Pensei em escrever, mas lembrei-me que seria necessário ir ter primeiro com aqueles que pregaram a Sã Doutrina antes de mim, para ouvir deles acerca da lei. Pois sem isto nada posso escrever. E sobre isto convidei alguns de meus irmãos e contei-lhes nossa necessidade, dizendo-lhes que precisávamos fazer uma viagem dilatada.
 
E prometi levar agasalhos para dormirmos pelo caminho, se possível fosse. Disse-lhes, também, que repartiria com eles a minha herdade, levando um saquitel de dinheiro, em resgate de toda manutenção que nos seria mister.
 
Pois seria necessário que passássemos por diversos rebanhos, para ouvir suas palavras e depois então podermos escrever nossas conclusões. Eu não queria ir somente com minha mulher (Palmira Gallio); mas depois de recusarem aqueles a quem convidei para a viagem, então pus-me a caminho apenas com minha companheira e nossos dois filhos (Mariinha e Manoel)."
 
Iniciei pela cidade de Garça, onde fui ter com os irmãos e a todos contei o motivo da viagem. E à noite fomos à congregação local. Ora, naquele tempo os dirigentes eram os Irmãos Roque e Ernestino. Depois das orações, perguntamos a cada um deles o que sabiam acerca deste caminho. Responderam cada um por sua vez. Os mais velhos não existiam mais, pois uns mudaram-se e outros já eram falecidos. Os que estavam presentes nada souberam esclarecer sobre a manifestação da Sã Doutrina.
 
Luiz Gallio percorreu todo o estado de São Paulo, entrevistando os irmãos mais velhos sobre as origens da Sã Doutrina. Enviou cartas aos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul com a mesma finalidade. Dentre os muitos entrevistados, destacam-se:
 
José Candido e João Caetano de Garça, os irmãos Pereira e José Cavalcanti em Mesquita, João Izidoro em Cafelândia, Salomé, João Pozza, Benedito Cardoso, Manoel e Maria Tavares de Dracena, irmã Ricardina, Donato e Maximiano Rodrigues Filho de Panorama, Manoel Paz de Monte Castelo, Justino Vaz e Izael Paz de Junqueirópolis, irmã Mariana e seu filho Joaquim Manoel de Salgado Filho, Joaquim Néris Pereira (por carta) de Umuarama-PR, Francisco Lopes, Antonio Machado, sua esposa Simina e a irmã Anésia Pacheco de Tupã, Francisco Sinigália (por carta) de Loanda-PR, Ezequiel de Arange (por carta) de Dourados-MS, José Ribeiro, João Clementino e João Adamucho de Osvaldo Cruz, Manoel Martins e Pedro Alves de Parnazo, Celso Batista da Alta Sorocabana, Leontina de Bauru, João Francisco de Agudos, Ana de Cerqueira César, João Barreto de Vila Simão,  Miguel Espadari, Adonias Bazalha, João da Silva, Cornélio Palomares, Antonio Galvão, Samuel Caboclo da Silva, Lucas e Valentim de Miguel, Roque Braga e Gastão Correia da Grande São Paulo.
 
Celso Batista citou um irmão chamado Pedroso de Laranjeiras. Quase todos os entrevistados citaram Felício Rodrigues como o mais antigo crente espiritual cuja conversão se dera junto à família da menina que havia recebido a revelação.
 
Nas entrevistas, todos foram unânimes em dizer que a Sã Doutrina foi revelada a uma menina na cidade de Cerqueira César, região da alta Sorocabana no estado de São Paulo. Os entrevistados afirmaram que a pessoa certa para dar o nome da menina seria o irmão Felício Rodrigues, mas ele não foi encontrado por Luiz Gallio.
 
Ao final da obra, Luiz Gallio conclui:
 
O importante é o nome da mocinha, que ainda não está localizado. Tanto é que, se não fossem os recursos evangélicos, voltaríamos a estaca zero.  A não ser que se levante ainda um crânio profético para dar o nome dela. E este ainda não veio. Na verdade que existiu um velho profeta em nosso moderno grupo, cujo nome era João Esúnido. Mas não cheguei a conhecê-lo, se ainda vivesse era chegada a sua vez.
 
Como está difícil o nome desta mulher! Quem dera que as minhas forças abatessem a carne, então sacrificaria em jejuns e no terceiro dia subiria junto à minha oblação a implorar este nome. Seria importante o nome dela para o término desse romance. A saber, o nome certo, pois mudar o nome por pessoas desautorizadas é pecado e crime.
 
Então fiquei pensando em tudo que já fiz e ainda devo fazer, para se chegar ao paradeiro. Pensei: "Se a nossa anônima estiver entre os milhares de anjos do céu, que lhe seja dado um lugar para ela responder pela sua literatura na terra. E louvei ao Deus das alturas, que dá entendimento aos humildes, aqueles que abraçam a lei e andam nos seus mandamentos. E decidi escrever a conclusão de todo meu trabalho:
 
Conclusão: E agora, estando eu a par destas grandezas, dentro do intervalo no qual tratei do assunto da Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia, em finalidade do povo de Deus. A saber, sobre o esclarecimento de sua base, modo de sua fundação e o tempo em que manifestou o anjo na Igreja primitiva pela primeira vez. E hoje, debaixo destas testemunhas, sinto-me com poder bastante e modo mais prático para escrever. Dizendo que foi assim:
 
No ano de 1916 (Mil Novecentos e Dezesseis) mais ou menos, no tempo em que Cerqueira César era ainda um arraial da Alta Sorocabana no estado de São Paulo, residia ali um casal, cuja filha única trabalhava com o pai no serviço de explanador de madeira. Era ela quem ajudava seu pai no serviço da floresta, sendo ela candeeira dos bois dele. E um dia sucedeu ela ficar enferma e sua enfermidade ser muito grave. Então à noite vinham os vizinhos fazer algumas horas sobre o seu leito. E sucedeu uma noite estar ela muito mal, a saber, dormindo um profundo sono.
 
E subitamente ela sentou-se sobre seu leito e começou a falar-lhes, dando a entender a necessidade de uma nova vida, à qual hoje pertenço. E depois prosseguiu no mesmo sono. Então começou o povo a dizer, cada um por sua vez: - ela estava sonhando. E outros diziam: - não, mas ela estava variando. Então alguém levantou a sua voz e disse: - Ela está se despedindo. Correu então sua mãe, e encostando junto a ela disse: - Você está melhor minha filha, porque dormiu tanto assim? Acaso não sou eu sua mãe? Você não tem irmãs, és a única filha de sua mãe. Porque antes haverás de me chamar de irmã?
 
Respondeu a menina: “Eu o sei, admiro-me de que não entendes. Não chores por mim, oh minha mãe! Eu estou tão contente...” E prosseguiu no mesmo sono.
 
Então começaram de novo a dizer, cada um por sua vez: - Vede agora, como ela se despede abertamente. E alguém dizia-lhe: - Vai com Deus minha filha. Ora, mas existia no grupo deles um homem que já tinha luz no caminho espiritual. E este entendeu a mensagem do anjo e levantou sua voz e disse-lhes: - Não façam alvoroço, ela não se despediu e nem tampouco estava variando. Mas certamente era seu anjo, que falava-lhe para o nosso bem. Deixai-me atendê-la, caso volte outra vez. Ora, esta proposta despertou a curiosidade de todos que estavam ali. E se ajuntaram na expectativa de ouvi-la novamente.
 
E aguardavam no maior silêncio. Logo depois ela sentou-se novamente e também o homem se levantou para atendê-la. Ora, a multidão que ali estava para assistir a esta cena não deixava de compreender o que ela falava nas suas forças. Suas palavras eram de um profundo sentimento religioso. E entenderam que certamente era o seu anjo que falava por seu intermédio, para advertência do povo.
 
E depois disto ela foi recuperando as suas forças. E mesmo dentro de sua convalescência, todas as noites, naquela mesma hora mais ou menos, era ela desenvolvida. Então seus vizinhos e seus circunvizinhos não tratavam de outro assunto a não ser em estar prontos à noite, para ouvi-la de novo. Então sucedeu que os mais humildes anuíram pela efusão do espírito, renunciando seus pecados, congregaram-se a ela. Onde foi aumentando o número dos crentes, que sob sua manifestação despertaram na curiosidade da leitura do evangelho, onde deu o testemunho da idoneidade de sua manifestação.
 
E depois de muitos dias, eram eles já em número suficiente. Então foram alertados pelo mesmo espírito, acerca da separação do joio e do trigo. Então neste tempo é que foi desnudado a satanás e também cantado foi o hino da vitória. E então, principiou-se a luta.
 
Aqui está o fim do assunto que dentro do período de dois anos mais ou menos, investiguei, ouvi e pude averiguar relativamente a esta doutrina espiritual, para poder explanar. Além do que, esta doutrina vem se desenvolvendo pelo mesmo espírito com muito mais superioridade, a qual permanecerá entre os filhos de Deus, desde então, agora e para sempre. Amém.
 
Irmãos, esta leitura pode bem ajudar vós neste caminho, contendo algumas interpretações razoáveis. Olhe Senhor Deus lá do teu céu, perdoa este povo e abençoe-o. Perdoai-me a mim também se algum dos meus passos foram errados, pois quem é santo diante do altíssimo? Se nem os anjos, quanto mais o homem, feito do pó. Reine o altíssimo soberano na sua real grandeza por todos os séculos, desde o céu até toda a terra, para sempre. Amém. Luiz Gallio.
 
 
3- A Origem da Sã Doutrina, Segundo João Pozza
 
Reproduzimos agora o relato de João Pozza sobre “A Origem da Sã Doutrina” extraído do Livro de Visões n° 1, em um texto que foi compilado e adaptado por Walmir da Rocha Melges, de Lins/SP:
 
A origem da nossa Doutrina remonta aos idos de 1914, quando ela foi revelada ao mundo pelo Espírito Santo de Deus através de uma menina de 12 anos, em um arrebatamento espiritual que durou treze minutos, quando foi revelado a ela toda a instrução espiritual para que fosse reafirmado aqui na terra o Reino de Deus, através do Cristianismo Espiritual; doutrina religiosa firmada na Ressurreição do Nosso Senhor Jesus Cristo – Jesus de Nazaré.
 
Assim o Pai Espiritual, aquele que criou o céu e a terra e tudo que neles existe, o Senhor Absoluto do Mundo, aquele que Tudo Vê, e Tudo Cuida – Deus Uno, onipresente e onisciente - que se manifesta aos homens na forma de Deus Supremo, do Espírito Santo da Verdade, e do seu filho amado, Nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo, se serviu dos dons espirituais da menina e a transportou anunciando-lhe como deveria ser o culto espiritual.
 
O local foi o Município de Bernardino de Campos, região sorocabana do estado de São Paulo, onde o pai da menina exercia a profissão de carreiro. Sua filha com apenas 12 anos de idade o ajudava no trabalho, como candeeira, servindo de guia na frente dos bois usados diariamente no trabalho.
 
O carreiro frequentava um grupo de orações que se reunia duas vezes por semana, e então, no dia 7 de julho de 1914, a família voltava para o seu rancho, quando a menina revelou para o seu pai os assuntos espirituais que havia recebido pelo Espírito Santo. O pai, surpreendido, resolveu comunicar aos demais membros do grupo a revelação que a menina tinha recebido pelo Espírito Santo, mas eles não a aceitaram porque ela era menor de idade e por não concordarem com os santos ensinos revelados. E então auxiliado pelo Espírito Santo o pai da menina decidiu trabalhar espiritualmente do modo como foi revelado.
 
Chamaram seus vizinhos (Pedroso e sua mulher); contaram a visão da menina; e eles concordaram em trabalhar espiritualmente conforme a revelação, seguindo os ensinamentos e mandamentos contidos nas Sagradas Escrituras que é o único texto aceito como de Inspiração Divina. Formaram então uma pequena congregação de sete pessoas, que foi a célula inicial desta Doutrina Cristã Espiritual.
 
E assim seguiram até 1915, quando no dia 3 de março mudaram de lugar e foram morar perto de um homem chamado Felício Rodrigues e sua mulher dona Olímpia, os quais possuíam duas filhas, e então em um dia de quarta-feira convidaram o Felício e sua família para assistir ao culto. Participando do culto, Felício descobriu que tinha o dom de pregador e sua mulher a Dona Olímpia o dom de profecia.
 
Foi desta forma então que Deus, através do Espírito Santo, plantou a primeira figueira espiritual e revelou nossa Doutrina Cristã da forma como é até hoje praticada e que tem origem na Igreja de Cristo e a doutrina que ele transmitiu aos seus apóstolos e discípulos, tal qual está escrito nas Sagradas Escrituras e no Evangelho de Cristo (Velho e Novo Testamento). João Pozza.
 
4 - Comparação Entre as Versões
 
As duas versões apresentam boas coincidências: a revelação foi dada a uma menina, candeeira de bois de seu pai na região da Sorocabana (antiga estrada de ferro do estado de São Paulo). Ambas falam de dois irmãos importantes: Pedroso e Felício Rodrigues.
 
Nenhuma das versões descobriu o nome da menina. Luiz Gallio procurou este nome como se procura agulha no palheiro e não o encontrou. João Pozza alcançou por visão detalhes impressionantes sobre a revelação, como dia, mês e ano, mas não obteve o nome.
 
A ocultação deste nome deve ter sido plano de Cristo. Nós, humanos, somos suscetíveis a fraquezas materiais e tendo conhecimento deste nome poderíamos fazer uso indevido dele, quando na verdade o único nome a ser exaltado é somente o nome de Cristo. O risco da idolatria seria iminente.
 
Através de uma pesquisa feita em 1995, conseguimos informação a respeito do apelido dessa menina, fornecido pelo irmão Marcílio Viana e remetido até nós pelo irmão Ernestino dos Santos Ferreira (residentes em Garça). O apelido atribuído à menina, segundo  o irmão Marcílio Viana, era  ICA. Ressalte-se que não se trata de um nome, apenas um apelido.
 
As versões relatam que a revelação ocorreu em cidades diferentes: sem nenhuma exceção, todos os entrevistados por Luiz Gallio afirmaram que a cidade era Cerqueira César. Na visão de João Pozza, consta como Bernardino de Campos. Na época da revelação, ambas faziam divisa entre si e ainda eram pequenos distritos.

Cerqueira César era um distrito de Avaré com o nome de Três Ranchos e foi elevada a condição de município em 10 de outubro de 1917.
 
Bernardino de Campos em 1886 era um pequeno povoado denominado Douradão, depois chamado de Figueira e posteriormente de distrito da Paz e finalmente obteve o nome atual. Passou a município em 9 de outubro de 1923, pela Lei Estadual de n° 1929, e a instalação foi em 22 de dezembro do mesmo ano.
 
Entre estas duas cidades que faziam divisas entre si, surgiu outra chamada Manduri. Esta foi elevada a condição de município somente em 30 de novembro de 1944, ou seja, quando houve a revelação no início do século passado, Manduri não existia. Cerqueira César e Bernardino de Campos eram emendadas e estavam em fase de transição de distrito para município.

Bernardino era acessado pela Alta Paulista, e Cerqueira, pela Noroeste. Aquela região era dominada pelo desejo do conhecimento espiritual e, entremeio as dezenas de bairros rurais no meio da mata virgem que estava sendo aberta, ao meio disto tudo, nasceu uma flor que é esta que nos abriga, ou seja, a Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia [Walmir da Rocha Melges].
 
Recentemente nosso irmão Walmir da Rocha Melges, de Lins/SP, esteve nesta região fazendo uma busca sobre algum vestígio da revelação da Sã Doutrina. Descobriu que no início do século passado, há 100 anos, a região habitada era exatamente a divisa entre Bernardino de Campos e Cerqueira César.
 
Como a revelação se deu na divisa, existe certa indefinição, mas isto não altera o conteúdo. Se hoje fosse possível localizar a região exata onde ocorreu a revelação, provavelmente seria em Manduri e não em Cerqueira César ou Bernardino de Campos.
A seguir, fotos relacionadas: